domingo, 9 de março de 2014

Historiador sugere manutenção da Praça Portugal - Blog do Eliomar


Em comentário enviado ao Blog, o historiador e coordenador pedagógico da E.E.E.M José Tristão Filho, professor Joatan Filho, comenta o projeto da divisão da Praça Portugal. Confira:
Soube que a Prefeitura de Fortaleza pretende destruir a Praça Portugal com o argumento que vai construir outras quatro e viabilizar o trânsito na área da Aldeota. Ou seja, priorizar automóveis em detrimento do verde e da praça; criar mais um cruzamento sinalizado que provavelmente manterá o trânsito lento; derrubar as árvores já existentes; destruir a praça símbolo da Aldeota. Parece-me que isso relembra o tipo de arquitetura xadrez de Adolfo Herbster. E tudo, sem debate e definido autocraticamente, baseado em um planejamento tecnicista e arbitrário.
Caríssimo prefeito Roberto Cláudio, talvez seja melhor repensar essas propostas desses assessores e projetistas, pois estão arruinando a sua imagem. São seus aliados mesmo? Ficar na história como o prefeito que destruiu a Praça Portugal é manchete genial para um opositor. Se fosse à época da Luizianne Lins estariam dizendo que ela iria destruir a praça, e logo surgiriam protestos da elite “belle epoque” de Fortaleza. Mas hoje, são os parabéns antecipados da prefeitura às mulheres. Pois é Prefeito, mude o trânsito, mas não destrua a praça.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Carta aberta ao povo de Baturité - Blog do Eliomar

Publicada no Blog do Eliomar em 31 de janeiro de 2013.

Em texto enviado ao Blog, o historiador, professor e militante social Joatan Freitas comenta da situação política de Baturité, que nesta sexta-feira (31) recebe o Fórum em Defesa de Baturité, a partir das 19 horas, na Sede do Sindicato dosa Trabalhadores Rurais. Confira:
Como cidadão e conterrâneo, venho acompanhando pela internet e conversando com algumas pessoas sobre a situação crítica da nossa cidade após o caos político e administrativo instalado em Baturité.
Considerando o crescimento do país, do estado e da região, percebe-se lamentavelmente um atraso de nossa cidade que vem perdendo espaço no Maciço de Baturité: a insatisfação dos funcionários públicos e atrasos de pagamento, além de remoção com o provável intuito de perseguição política; falta de diálogo diante das reivindicações justas da comunidade quilombola da Serra de Evaristo e outras comunidades; devolução de recursos financeiros destinados à escola da comunidade quilombola, beirando à discriminação e ao racismo (*); incompetência administrativa; Saúde abandonada e Educação em crise; setores da Câmara de Vereadores submissos e omissos.
E, diante dos desafios e necessidades do município quanto ao seu potencial turístico e cultural, com juventude criativa, mas ociosa; a agricultura familiar enfrentando a seca de forma artesanal e sem política pública municipal definida; o comércio sem estímulo adequado, e a política perdida em disputas menores, observa-se um verdadeiro despreparo político-administrativo em relação a um projeto de desenvolvimento sustentável para Baturité.
A política de Baturité tem se caracterizado pela falta de visão de alguns gestores para dialogar com o diferente, com os movimentos organizados, as mulheres, os idosos, os grupos religiosos, os trabalhadores, os grupos culturais e as juventudes criativas, e assim, construir um planejamento estratégico capaz de elaborar as premissas de um projeto político de desenvolvimento econômico, político e cultural para os próximos vinte anos do município.
Entretanto, o povo precisa ser mais acionado e participativo, pois, não basta a democracia representativa que transfere a responsabilidade pelo futuro de Baturité para as mãos do gestor municipal, vereadores e/ou lideranças políticas.
Neste sentido, o Fórum em Defesa de Baturité pode avançar para além dos limites de uma prefeitura e se tornar uma ferramenta de democracia popular, com participação de todos os setores da sociedade, e assim, ser capaz de levar a cidade a pensar num processo de desenvolvimento local, autogerido e sustentável.
Joatan Freitas, historiador, professor e militante social

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Em breve: Curta O Gênero 2013


Ong Fábrica de Imagens realiza segunda edição do projeto Curta O Gênero com foco na equidade de gênero e direitos humanos

Entre 05 e 09 de março de 2013, na Semana do Dia Internacional da Mulher, a Fábrica de Imagens – ações educativas em cidadania e gênero, o CACTO – Centro de Cultura, Arte, Comunicação e Novas Tecnologias para a Promoção da Equidade de Gênero e Afirmação da Diversidade Sexual e o Ponto de Cultura Outros Olhares realizarão na Casa Amarela Eusélio Oliveira da Universidade Federal do Ceará o II Curta o Gênero, evento que congrega a II Mostra Nacional Audiovisual Curta o Gênero; a II Exposição Fotográfica Contrastes – gênero, tempos, lugares, olhares; apresentações cênicas e musicais; intervenções urbanas; o II Seminário Gênero, Cultura e Mudança; e uma série de minicursos.

Toda a programação do Curta o Gênero 2013 tem seu foco nas questões de gênero e nas suas interfaces com questões de raça, classe, geração, diversidade sexual, dentre outras. Em sua segunda edição, o Seminário Gênero, Cultura e Mudança abordará o binômio gênero e violência nos campos da comunicação, educação, políticas públicas, raça e diversidade sexual.

Abrindo o Seminário no dia 05 de março a Profª. Doutora Guacira Lopes Louro (GEERGE/UFRGS) discorrerá sobre o tema Discriminação, silêncio e segredo: a violência escondida. A programação do Seminário conta ainda com uma série de pesquisadoras e pesquisadores dos mais proeminentes centros de estudos de gênero do país e importantes ativistas como a Profª. Doutora Maria Luisa Heilborn (CLAM/IMS/UERJ), da Profa. Doutora Iara Beleli (PAGU/UNICAMP), da Profa. Doutora Berenice Bento (Tirésias/UFRN), da Doutora Sueli Carneiro (Geledés), da Doutora Jacira Melo (Agência Patrícia Galvão), da Doutora Wânia Pasinato (PAGU/UNICAMP), da Profa. Doutora Karla Bessa (PAGU/UNICAMP), o Prof. Doutor Alexandre Fleming (LEO/UFC), a Profa. Doutora Zelma Madeira (NUAFRO/UECE), o Prof. Doutor Fernando Pocahy (MULTIVERSOS/UNIFOR) e o escritor João Nery.

No que se refere a II Mostra Nacional Audiovisual Curta o Gênero, foram mais de 100 produções inscritas no site do evento e 19 produções, de 08 estados brasileiros, selecionadas sob a curadoria da Profa. Doutora Karla Bessa (PAGU/UNICAMP), de Paula Alves (Instituto de Cultura e Cidadania Femina) e de Marcos Antonio Monte Rocha (Fábrica de Imagens) abordando diversificados aspectos dentro das questões de gênero. Destaque para a abertura da Mostra, dia 05 de março, onde serão exibidos Damas da Liberdade de Joe Pimentel e Célia Gurgel e Vestido de Laerte Cláudia Priscilla e Pedro Marques.

A II Exposição Fotográfica Contrastes – gênero, tempos, lugares, olhares é outro ponto forte do Curta o Gênero 2013. Sob curadoria dos fotógrafos Ricardo Schmitt (Museu da Imagem e do Som), Markos Montenegro (Travessa da Imagem) e da diretora da Fábrica de Imagens Christiane Ribeiro Gonçalves, 24 peças foram selecionadas da produção fotográfica dos jovens do Projeto CACTO, da Fábrica de Imagens, para compor a exposição. Outras 12 fotografias produzidas pelo Coletivo de Fotografia Mácula, também da Fábrica de Imagens, completam a Constrastes 2013.

Dentre outras apresentações artísticas que serão apresentadas no Curta o Gênero 2013, destaca-se a apresentação das peças teatrais Ocultos – é assim que somos, livre adaptação de peças de Nelson Rodrigues e Viagem solitária baseada no livro homônimo de João W. Nery. Essas produções, dirigidas por Silvero Pereira, são as duas primeiras peças do Grupo Enlear de Teatro da Fábrica de Imagens.

O Curta o Gênero 2013 tem patrocínio da Petrobras através do Programa Desenvolvimento e Cidadania, apoio institucional da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará pelo mecanismo do mecenato estadual, e apoio cultural da Coelce, Secretaria de Cultura de Fortaleza, Universidade Federal do Ceará e da Casa Amarela Eusélio de Oliveira.

SERVIÇO

Curta o Gênero 2013 - Mostra Nacional Audiovisual - Seminário
De 5 a 9 de março
Casa Amarela Eusélio Oliveira - Av. da Universidade, 2591 - Benfica

Contato: Assessoria de Comunicação da Ong Fábrica de Imagens – 3495.1887
Aby Rodrigues: 85 87246660
Catarina Érika Morais: 85 99981650
Programação: curtaogenero.org.br

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Esqueleto achado em estacionamento é do rei Ricardo III

Foto: AFP
Especialistas confirmaram que o esqueleto encontrado em setembro de 2012, em um estaci-onamento de Leicester, Inglaterra, é do rei Ricardo III, morto no campo de batalha em 1485.

De acordo com a Universidade de Leicester, responsável pela investigação arqueológica, os restos mortais de Ricardo III serão sepultados na catedral da cidade. O rei, que possuía polêmica reputação, teria morrido em combate ainda com as armas nas mãos, na batalha de Bosworth Field. Sua morte foi determinante para o fim da Guerra das Rosas.

Como o corpo do antigo monarca nunca foi encontrado até então, havia rumores diferentes em relação ao destino de seus restos mortais. Uns afirmavam que ele estava enterrado em uma capela Franciscana, destruída no século XVI, enquanto outros acreditavam que seu corpo havia sido jogado no rio.

Ricardo III foi imortalizado pelas obras de William Shakespeare por ser retratado como um rei tirano corcunda que havia matado os próprios sobrinhos para que eles não herdassem o trono da Inglaterra.

As investigações levaram especialistas do Departamento de Arqueologia da Universidade de Leicester a realizar buscas no subsolo do estacionamento, que fica localizado no centro da cidade. A descoberta dos ossos em setembro, surpreendeu toda a equipe por conta de sua condição: tratava-se do esqueleto com deformações na coluna e ferimentos que poderiam indicar um assassinato no campo de batalha.

Ao cair no conhecimento da imprensa, o caso acabou ganhando grande repercussão sobre a possibilidade dos ossos pertencerem ao famoso monarca. Agora, o objetivo dos cientistas com essa nova descoberta é aprofundar um estudo sobre os últimos anos do reinado de Ricardo III.

Redação O POVO Online com informações da AFP 

 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

FOTOS DE UMA HISTÓRIA

Pe. Haroldo Coelho: o guerreiro!
A resistência!

Junto ás guerreiras!
Liberdade de Cesare Batistti



Tribunal do Genocídio
Tribunal do Genocídio
Fontes: 
http://www.facebook.com/media/set/?set=a.412726668798051.87983.131443853593002&
www.criticaradical.org/

UM GUERREIRO!

Adeus ao homem de fé e coragem

Entre cânticos e palmas, amigos, familiares, políticos e religiosos acompanharam o sepultamento do padre Haroldo Coelho, por volta das 18 horas desse domingo (13), no cemitério Parque da Paz, no Passaré. Exemplo de fé e coragem, padre Haroldo faleceu na última sexta-feira (11), em Brasília, aos 77 anos, vítima de complicações renais e respiratórias.

Durante o cortejo, os presentes cantaram “Pra não dizer que não falei de flores”, música de Geraldo Vandré que teve a sua execução proibida durante a ditadura militar. No trajeto, o caixão do religioso esteve envolvido pelas bandeiras de Fortaleza, do Movimento dos Sem Terra (MST), de partidos políticos e do time pelo qual torcia, o Ferroviário.

Pela manhã, o padre foi homenageado em velório na Igreja de Santa Edwiges, onde o arcebispo de Fortaleza, dom José Antônio Aparecido Tosi Marques, celebrou missa de corpo presente. “A vida dele serve de lição para todo mundo. Na família, era o patriarca. Era tudo para a gente. Nos deu lições de vida. Ele deixa só coisa boa, muito aprendizado… Era um professor.”

Assim, de emoção e lembranças carinhosas, Diana Delny, 54, definiu o tio. Para o padre Raimundo Nonato Oliveira Neto, da Paróquia São Vicente de Paulo, Haroldo foi um “homem coerente”. “Não era só de discurso. Havia sintonia forte entre o que ele dizia e o que vivia. Uma coerência entre fé e vida.”

Segundo Alexandre Távora, que assessorava padre Haroldo havia cinco anos, nos últimos três meses agravou-se um problema renal que há tempos o acompanhava. Em dezembro, a função renal piorou e padre Haroldo adquiriu anemia forte. “Ele estava muito debilitado”, lamentou.

Trajetória

José Haroldo Bezerra Coelho nasceu em 24 de março de 1935, em Fortaleza. É o quinto filho de uma família de seis homens e duas mulheres. Iniciou os estudos religiosos aos 14 anos. Recebeu ordenação definitiva em 29 de novembro de 1964, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus. Cursou faculdade de Filosofia e licenciou-se em Ciências Sociais. Fez pós-graduação na Universidade de Sorbonne, na França. Foi professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece).

Em 1986, quando filiado ao Partido dos Trabalhadores, candidatou-se ao Governo do Estado do Ceará contra o coronel Adauto Bezerra e o empresário Tasso Jereissati. Militante da esquerda, atuou pelo Partido Socialismo e Liberdade (Psol).

(O POVO)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Wanderlino Nogueira é o novo membro do Comitê dos Direitos da Criança da ONU

Joatan Freitas, Isabel e Wanderlino.
O resultado da votação foi anunciado na tarde dessa terça-feira , na Assembleia Geral da ONU , em Nova York. Entre os nove candidatos escolhidos está o brasileiro Wanderlino Nogueira Neto, que obteve 161 dos 189 votos. 

O Comitê da ONU é a principal instância global que tem como função acompanhar a implementação das normas da Convenção dos Direitos da Criança, ratificada por 193 países, entre eles o Brasil. Atualmente o Comitê é composto por dezoito membros.

A Associação Nacional dos Centros a de Defesa da Criança e do Adolescente – Anced/ Seção DCI Brasil vem feito à gestão junto ao Governo Brasileiro, em torno da candidatura de Wanderlino Nogueira Neto. Boa parte dessa propositiva trajetória profissional de Wanderlino Neto se deu na ANCED/DCI e como membro do Cedeca Rio de Janeiro, dedicando grande parte de sua vida a luta pela defesa dos direitos humanos de crianças e adolescentes do país.

A votação será acompanhada pela Missão do Brasil junto à ONU em Nova York.

Sua trajetória 
 
IX Conferência Estadual no Ceará.
Graduado em Direito pela Universidade Federal da Bahia - UFBA. Participou de curso de pós-graduação (sentido lato) na Universidade de Maccerata (Marche – Itália). Estagiou no Centro de Formação para a Proteção Judiciária da Juventude (Centre de Vaucresson – Paris / França).

É procurador de justiça aposentado do Ministério Público da Bahia e foi coordenador do Grupo para Monitoramento da implementação da Convenção sobre os Direitos da Criança da Seção Brasil da rede Defense for Children International – DCI/DNI (Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente – (ANCED) seção DCI Brasil) e atualmente é membro do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Rio de Janeiro (CEDECA-RJ).

Anteriormente exerceu a Chefia do Ministério Público do Estado da Bahia, como Procurador Geral de Justiça (Governo Waldir Pires), assumiu o cargo de Diretor Geral do Tribunal de Justiça da Bahia e de Secretário Geral do Ministério Público do Estado da Bahia. Inicialmente foi Promotor de Justiça, Defensor Público, Curador de Menores e Procurador de Justiça no Ministério Público da Bahia, além de ter atuado como jornalista no Jornal A TARDE em Salvador – Bahia.

Dentre as inúmeras atividades exercidas, destaca-se sua contribuição teórica de produção de conhecimento sobre direitos humanos, em especial direitos de crianças e adolescentes, que o credencia como um dos principais teóricos brasileiros no campo. A sua relevante atuação no cenário internacional, a partir da ANCED/Seção DCI Brasil, também foi importante para o desenvolvimento de trabalhos e conquistas da área.

IX Conferência Nacional em Brasília.
Wanderlino contribui expressivamente para processo em que coordenou o grupo de representação da Coalizão da Sociedade Civil Brasileira na audiência do Comitê dos Direitos da Criança da ONU (Genebra), quando defendeu o relatório alternativo elaborado pela referida coalizão (2004), com os demais membros da delegação brasileira. Além disso, representou a ANCED/seção DCI Brasil na Redlamyc (Red latinoamericana y caribeña por la defensa de los derechos de los niños, niñas y adolescentes) e no DCI (Defense for Children International).

Prêmios 
 
Prova da importância da militância de Wanderlino Nogueira é o reconhecimento que teve em 2011, quando recebeu dois dos mais importantes prêmios do Brasil relacionados a Direitos Humanos:

• Prêmio Neide Castanha de Direitos Humanos, categoria Cidadania, concedido pelo Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes, por ocasião da mobilização em torno do Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes “18 de maio”.

• Prêmio Direitos Humanos 2011, categoria XVII - Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente, concedido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República – SDH/PR, entregue pela própria Presidenta, Dilma Roussef.


Mais informações: http://www.anced.org.br/a-anced/noticias/o-militante-wanderlino-nogueira-neto-e-o-novo-membro-do-comite-dos-direitos-da-crianca-da-onu/view

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

NOTA PÚBLICA DO CONANDA

NOTA PÚBLICA sobre a aprovação da PEC da Redução da Idade Penal no Senado Federal


O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) vem a público manifestar-se contra a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz a idade penal de 18 para 16 anos por considerá-la inconstitucional e comprometedora da imagem e da credibilidade do país com relação aos compromissos internacionais assumidos, como a Convenção sobre os Direitos da Criança e do Adolescente da Organização das Nações Unidas (ONU) ratificada pelo país em 1990.

Como principal órgão do sistema de garantias dos direitos da criança e do adolescente no país, criado pelo próprio Estatuto da Criança e do Adolescente e formado, paritariamente, por membros do governo e da sociedade civil, o Conanda tem como missão principal a promoção, a defesa e a garantia integral dos direitos da criança e do adolescente. Nesse sentido, tendo em vista que a Constituição Federal Brasileira de 1988 considerou que a inimputabilidade penal é direito e garantia fundamental de todas as pessoas com menos de 18 anos (crianças e adolescentes), isto significa que o adolescente não responde criminalmente quando comete atos infracionais (crimes ou contravenções), mas responde conforme a legislação especial (Estatuto da Criança e do Adolescente). O artigo 60, parágrafo 4, inciso 4, da Constituição Federal dispõe que “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir os direitos e garantias individuais”.

Além disso, o Brasil ao ratificar a Convenção da ONU se obrigou a tratar de forma totalmente diferenciada as crianças e adolescentes com relação aos adultos, quando se envolvem com a criminalidade. A Convenção dos Direitos da Criança e do Adolescente da ONU após ser ratificada pelo país signatário tem “status” constitucional, se incorporando ao rol dos direitos e garantias fundamentais da Constituição Federal. Portanto, além dos motivos sociais, econômicos e psicológicos já explicitados em notas anteriores do Conselho (anexos), a PEC aprovada ontem na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal está ferindo frontalmente princípios constitucionais e garantias elementares das crianças e adolescentes.

Diante disso, o Conanda, com o apoio do jurista Dalmo de Abreu Dallari e da Associação Brasileira de Magistrados e Promotores da Infância e Juventude (ABMP) irá elaborar e impetrar um mandado de segurança, com pedido de liminar, no Supremo Tribunal Federal (STF), visando à paralisação imediata da tramitação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que trata da redução da idade penal no Congresso Nacional, defendendo dessa forma a prevalência da soberania dos princípios constitucionais no Estado Democrático de Direito e em defesa do integral cumprimento da Lei 8.069, de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente).

Brasília, 27 de abril de 2007.

Esplanada dos Ministérios, Bloco T, Anexo II - Ministério da Justiça, Sala 421
Cep: 70.064.901 - Brasília-DF
Telefones: 61.3225.2327. 3429. 3524/3525/3535, Fax: 61. 3224.8735
E-mail: conanda@sedh.gov.br Site: www.presidencia.gov.br/sedh/conanda

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Garoto de 15 anos cria bateria e rádio comunitária sem conhecer princípios básicos da engenharia

Kelvin Doe queria desenvolver soluções para os problemas de sua comunidade em Serra Leoa

   Divulgação
Kelvin Doe, um garoto de Serra Leoa de apenas 15 anos, tem chamado a atenção da comunidade científica ao inventar soluções criativas para seus problemas diários. Sem conhecer os princípios básicos da engenharia, o garoto criou - combinando sucata, bicarbonato de sódio e ácido - uma bateria capaz de fornecer energia para sua casa e uma estação de rádio comunitária para permitir a discussão e a disseminação de informações para a sua comunidade.

   Divulgação
A esperteza do garoto impressionou David Sengeh, estudante de doutorado do Massachusetts Institute of Technology (MIT). O menino foi convidado para apresentar a sua invenção na universidade e participará da organização sem fins lucrativos Inovar Salone, que tem o objetivo incentivar crianças de todos os países a inventar soluções criativas para resolver os problemas de suas comunidades. Um vídeo com a invenção de Kevin foi colocado no site YouTube.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Hubble registra choque de galáxias

Nos últimos 19 anos o telescópio registrou centenas de imagens exóticas de galáxias colidindo. As cenas foram tantas que os pesquisadores não acreditavam que pudessem ver algo novo e estranho, mas a composição registrada surpreendeu novamente. 

A foto mostra o objeto ARP 194, um conjunto triplo de galáxias onde se tem a impressão de que as estrelas estão "escorrendo" através de um fluxo azul, visto no centro da foto. Na realidade, o fluxo observado é o braço de uma das galáxias, repleto de centenas de estrelas que acabaram de nascer e foi criado pela interação da gigantesca força gravitacional entre as duas galáxias vistas no topo da imagem. 

Os núcleos das duas galáxias que estão se fundindo pode ser visto no canto superior direito da composição. O bizarro fluxo azul, uma espécie de ponte cósmica, parece se conectar à galáxia inferior, mas na realidade não passa de uma ilusão de ótica. A galáxia inferior não está no mesmo plano das duas que se fundem, mas muito atrás delas, não existindo nenhum contato físico entre os objetos. 

O berçário azul de estrelas é sem dúvida o que mais chama a atenção na imagem. Contém enormes aglomerados estelares que por sua vez podem conter outras dezenas de jovens aglomerados. Ali, as forças gravitacionais envolvidas podem aumentar a taxa da criação estelar, dando origem à brilhantes estrelas que se formam em galáxias em fusão. 

O Telescópio Espacial Hubble foi colocado em órbita em 1990 pelo ônibus espacial Discovery. Até o momento o instrumento fez mais de 850 mil investigações, registrando aproximadamente 600 mil imagens de 29 mil objetos. 

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A beleza do ser!

Foto Google/facebook


A consciência negra supera todos os dias os limites da intolerância racista e por esta razão se eterniza na beleza do ser!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Veja que lixo!

Por Jean Wyllys - Deputado Federal(PSOL-RJ)

Eu havia prometido não responder à coluna do ex-diretor de redação de Veja, José Roberto Guzzo, para não ampliar a voz dos imbecis. Mas foram tantos os pedidos, tão sinceros, tão sentidos, que eu dominei meu asco e decidi responder.

A coluna publicada na edição desta semana do libelo da editora Abril — e que trata sobre o relacionamento dele com uma cabra e sua rejeição ao espinafre, e usa esses exemplos de sua vida pessoal como desculpa para injuriar os homossexuais — é um monumento à ignorância, ao mal gosto e ao preconceito.

Logo no início, Guzzo usa o termo “homossexualismo” e se refere à nossa orientação sexual como “estilo de vida gay”. Com relação ao primeiro, é necessário esclarecer que as orientações sexuais (seja você hétero, gay ou bi) não são tendências ideológicas ou políticas nem doenças, de modo que não tem “ismo” nenhum. São orientações da sexualidade, por isso se fala em “homossexualidade”, “heterossexualidade” e “bissexualidade”. Não é uma opção, como alguns acreditam por falta de informação: ninguém escolhe ser gay, hétero ou bi.

O uso do sufixo “ismo”, por Guzzo, é, portanto, proposital: os homofóbicos o empregam para associar a homossexualidade à ideia de algo que pode passar de uns a outros – “contagioso” como uma doença – ou para reforçar o equívoco de que se trata de uma “opção” de vida ou de pensamento da qual se pode fazer proselitismo.

Não se trata de burrice da parte do colunista portanto, mas de má fé. Se fosse só burrice, bastaria informar a Guzzo que a orientação sexual é constitutiva da subjetividade de cada um/a e que esta não muda (Gosta-se de homem ou de mulher desde sempre e se continua gostando); e que não há um “estilo de vida gay” da mesma maneira que não há um “estilo de vida hétero”.
A má fé conjugada de desonestidade intelectual não permitiu ao colunista sequer ponderar que heterossexuais e homossexuais partilham alguns estilos de vida que nada têm a ver com suas orientações sexuais! Aliás, esse deslize lógico só não é mais constrangedor do que sua afirmação de que não se pode falar em comunidade gay e que o movimento gay não existe porque os homossexuais são distintos. E o movimento negro? E o movimento de mulheres? Todos os negros e todas as mulheres são iguais, fabricados em série?

A comunidade LGBT existe em sua dispersão, composta de indivíduos que são diferentes entre si, que têm diferentes caracteres físicos, estilos de vida, ideias, convicções religiosas ou políticas, ocupações, profissões, aspirações na vida, times de futebol e preferências artísticas, mas que partilham um sentimento de pertencer a um grupo cuja base de identificação é ser vítima da injúria, da difamação e da negação de direitos! Negar que haja uma comunidade LGBT é ignorar os fatos ou inscrição das relações afetivas, culturais, econômicas e políticas dos LGBTs nas topografias das cidades. Mesmo com nossas diferenças, partilhamos um sentimento de identificação que se materializa em espaços e representações comuns a todos. E é desse sentimento que nasce, em muitos (mas não em todos, infelizmente) a vontade de agir politicamente em nome do coletivo; é dele que nasce o movimento LGBT. O movimento negro — também oriundo de uma comunidade dispersa que, ao mesmo tempo, partilha um sentimento de pertença — existe pela mesma razão que o movimento LGBT: porque há preconceitos a serem derrubados, injustiças e violências específicas contra as quais lutar e direitos a conquistar.

A luta do movimento LGBT pelo casamento civil igualitário é semelhante à que os negros tiveram que travar nos EUA para derrubar a interdição do casamento interracial, proibido até meados do século XX. E essa proibição era justificada com argumentos muito semelhantes aos que Guzzo usa contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Afirma o colunista de Veja que nós os homossexuais queremos “ser tratados como uma categoria diferente de cidadãos, merecedora de mais e mais direitos”, e pouco depois ele coloca como exemplo a luta pelo casamento civil igualitário. Ora, quando nós, gays e lésbicas, lutamos pelo direito ao casamento civil, o que estamos reclamando é, justamente, não sermos mais tratados como uma categoria diferente de cidadãos, mas igual aos outros cidadãos e cidadãs, com os mesmos direitos, nem mais nem menos. É tão simples! Guzzo diz que “o casamento, por lei, é a união entre um homem e uma mulher; não pode ser outra coisa”. Ora, mas é a lei que queremos mudar! Por lei, a escravidão de negros foi legal e o voto feminino foi proibido. Mas, felizmente, a sociedade avança e as leis mudam. O casamento entre pessoas do mesmo sexo já é legal em muitos países onde antes não era. E vamos conquistar também no Brasil!

Os argumentos de Guzzo contra o casamento igualitário seriam uma confissão pública de estupidez se não fosse uma peça de má fé e desonestidade intelectual a serviço do reacionarismo da revista. Ele afirma: “Um homem também não pode se casar com uma cabra, por exemplo; pode até ter uma relação estável com ela, mas não pode se casar”. Eu não sei que tipo de relação estável o senhor Guzzo tem com a sua cabra, mas duvido que alguém possa ter, com uma cabra, o tipo de relação que é possível ter com um cabra — como Riobaldo, o cabra macho que se apaixonou por Diadorim, que ele julgava ser um homem, no romance monumental de Guimarães Rosa. O que ele chama de “relacionamento” com sua cabra é uma fantasia, pois falta o intersubjetivo, a reciprocidade que, no amor e no sexo, só é possível com outro ser humano adulto: duvido que a cabra dele entenda o que ele porventura faz com ela como um “relacionamento”.

Guzzo também argumenta que “se alguém diz que não gosta de gays, ou algo parecido, não está praticando crime algum – a lei, afinal, não obriga nenhum cidadão a gostar de homossexuais, ou de espinafre, ou de seja lá o que for”. Bom, os gays somos como o espinafre ou como as cabras. Esse é o nível do debate que a Veja propõe aos seus leitores.

Não, senhor Guzzo, a lei não pode obrigar ninguém a “gostar” de gays, negros, judeus, nordestinos, travestis, imigrantes ou cristãos. E ninguém propõe que essa obrigação exista. Pode-se gostar ou não gostar de quem quiser na sua intimidade (De cabra, inclusive, caro Guzzo, por mais estranho que seu gosto me pareça!). Mas não se pode injuriar, ofender, agredir, exercer violência, privar de direitos. É disso que se trata.

O colunista, em sua desonestidade intelectual, também apela para uma comparação descabida: “Pelos últimos números disponíveis, entre 250 e 300 homossexuais foram assassinados em 2010 no Brasil. Mas, num país onde se cometem 50000 homicídios por ano, parece claro que o problema não é a violência contra os gays; é a violência contra todos”. O que Guzzo não diz, de propósito (porque se trata de enganar os incautos), é que esses 300 homossexuais foram assassinados por sua orientação sexual! Essas estatísticas não incluem os gays mortos em assaltos, tiroteios, sequestros, acidentes de carro ou pela violência do tráfico, das milícias ou da polícia.

As estatísticas se referem aos LGBTs assassinados exclusivamente por conta de sua orientação sexual e/ou identidade de gênero! Negar isso é o mesmo que negar a violência racista que só se abate sobre pessoas de pele preta, como as humilhações em operações policiais, os “convites” a se dirigirem a elevadores de serviço e as mortes em “autos de resistência”.

Qual seria a reação de todos nós se Veja tivesse publicado uma coluna em que comparasse os negros com cabras e os judeus com espinafre? Eu não espero pelo dia em que os homens concordem, mas tenho esperança de que esteja cada vez mais perto o dia em que as pessoas lerão colunas como a de Guzzo e dirão “veja que lixo!”.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Medidas socioeducativas em discussão na AL

Nesta quarta-feira (07/11), a Coordenadoria Especial de Políticas Públicas dos Direitos Humanos - COPDH/CE representada por Roger Cid participou de Audiência Pública na Assembleia Legislativa do Ceará, com a Comissão de Direitos Humanos e Cidadania e a Relatoria Nacional pelos Direitos Humanos à Educação, de iniciativa do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (Cedeca-CE).

A relatora Rosana Heringer, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apresentou o Plano de Trabalho 2012-2014 e fez uma avaliação da visita feita a dois centros educacionais que acolhem menores infratores. Ela relatou que foram identificados problemas de superlotação nos centros educacionais Dom Bosco e São Miguel.

A Secretaria de Educação do Ceará foi representada por Cristiane Holanda que apresentou as principais políticas de educação do Governo do Estado, destacando as escolas profissionalizantes e o desenvolvimento pedagógico com os centros educacionais de medidas socioeducativas, entre outros.

Weyds Cavalcante, coordenador da Célula de Atenção as Medidas Socioeducativas da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social do Estado, disse que para reverter esse quadro de superlotação o Estado pretende construir quatro novas unidades: duas em Sobral, uma em Juazeiro do Norte e outra em Fortaleza, com capacidade para 310 internos.

“As unidades no Interior são para descentralizar as medidas socioeducativas na Capital, pois essa superlotação se dá porque no Interior não tem essa medida de internação”. Weyds Cavalcante reconheceu a situação de violação da educação nos dois centros e afirmou que as unidades já estão sendo readequadas.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Nota de repúdio da Aty Guasu frente à divulgação de Guarani e Kaiowá na revista Veja

Esta nota das lideranças de Aty Guasu Guarani e Kaiowá visa destacar a importância das manifestações públicas conscientes de cidadão (ã) do Brasil em defesa da vida Guarani e Kaiowá.

Além disso, pretendemos repudiar reiteradamente a divulgação e posição racista e discriminante de jornalista Leonardo Coutinho da REVISTA VEJA.

Observamos que na última semana, a REVISTA VEJA divulgou os temas: “VISÃO MEDIEVAL DE ANTROPÓLOGOS DEIXA ÍNDIOS NA PENÚRIA” E “NAÇÃO” GUARANI. Autor-jornalista é o Leonardo Coutinho.

http://www.cimi.org.br/
A princípio, nós lideranças Guarani e Kaiowá entendemos que os cidadãos (ãs) brasileiros (as) merecem respeito, em geral, esperam de um jornalismo democrático um resultado da investigação justa e séria dos fatos para divulgá-los com ética e responsabilidade, demonstrando fielmente versões das partes envolvidas de modo a que a opinião pública possa construir conhecimento isento a respeito do tema divulgado, não é o que se constata na REVISTA VEJA diante da situação do Guarani e Kaiowá em foco.

Em primeiro lugar, constatamos que na divulgação mencionada de REVISTA VEJA há manifestação de racismo, preconceito e discriminação. Assim, fica evidente que o jornalista Leonardo Coutinho é racista, ele não procura compreender e divulgar a realidade dos Guarani e Kaiowá, faltando com a verdade total consigo mesmo, ou melhor, se desrespeitando e mentindo para todos (as) cidadãos (ãs) do Brasil. Visto que esse jornalista racista da REVISTA VEJA nem se preocupa em fazer o trabalho de jornalista a partir de uma aproximação minimamente científica, mas ele fez e divulgou o tema Guarani e Kaiowá de modo distorcida a partir de corpus de informações sem fundamento, meramente embasado em senso comum e sem valores científicos.

No contexto atual, é importante se observar que diante da manifestação contínua dos cidadãos (ãs) do Brasil em favor da demarcação e devolução de territórios tradicionais aos Guarani e Kaiowá, a imprensa REVISTA VEJA, como sempre, não perdeu a oportunidade de apresentar, mais uma vez, a imagem dos Guarani e Kaiowá como seres incapazes, como nós indígenas não fossemos seres humanos pensantes, fomos considerados como selvagens e truculentos; assim, nesta manchete da REVISTA VEJA há, antes de tudo, incitação ao preconceito, a discriminação e ao ódio o que acaba por colocar em risco total toda a população Guarani e Kaiowá, alimentando violências, racismo, discriminação e estigmas sobre os Guarani e Kaiowá, por isso, nós lideranças da Aty Guasu pedimos as autoridades competentes para realizar uma investigação rigorosa e punição cabível ao autor, Leonardo Coutinho que foi responsável pela divulgação de imagem negativa Guarani e Kaiowá na REVISTA VEJA.

Diante dessa divulgação infundada da REVISTA VEJA a respeito de luta Guarani e Kaiowá, nós lideranças indígenas não acreditamos que a maioria dos cidadãos (ãs) do Mato Grosso do Sul e do Brasil tenha conhecimento sobre Guarani e Kaiowá somente a partir do senso comum a distância, porém compreendemos que todos (as) brasileiros (as) manifestantes são educados e adquirem os seus conhecimentos sobre a situação atual Guarani e Kaiowá a partir de observações diretas da realidade do grupo social que por isso têm fundamentos para refletir e se manifestar como cidadão (ã). De fato, é isso que está ocorrendo no último mês no Brasil, cidadãos (ãs) conscientes se manifestaram e ainda se manifestam, através das redes sociais e em espaços públicos, em favor da vida dos Guarani e Kaiowá, exigindo as efetivações de direitos humanos e indígenas. Porém, o jornalista Leonardo da REVISTA VEJA considera que esses cidadãos (ãs) manifestantes seriam ignorantes e não conheceriam as situações dos Guarani e Kaiowá, os tachando de ignorantes aos cidadãos (ãs) em manifestação. Em nosso entendimento, como indígenas Guarani e Kaiowá, consideramos sim que esses cidadãos (ãs) manifestantes de várias federações do Brasil conhecem muito bem a nossa história e nossa situação atual, por essa razão ampla se manifestam em favor de nossa vida para garantir a nossa sobrevivência. Enquanto o Leonardo Coutinho da REVISTA VEJA tenta colocar os Guarani e Kaiowá em risco total além de ignorar os conhecimentos dos cidadãos (ãs) manifestantes.

Queremos deixar evidentes que nós lideranças da Aty Guasu Guarani e Kaiowá de modo autônomos e conscientes vimos lutando pela recuperação de nossos territórios antigos, essa luta pelas terras tradicionais é exclusivamente nossa, nós somos protagonistas e autores da luta pelas terras indígenas, nós envolvemos os agentes dos órgãos do Estado Brasileiro, os agentes das ONGs e todos os cidadãos (ãs) do Brasil e de outros países do Mundo.

Finalizando, nós lideranças da Aty Guasu Guarani e Kaiowá de modo conscientes vamos lutar sem parar pela recuperação de nossas terras antigas, juntamente com cidadãos (ãs) manifestantes do Brasil em destaque, continuremos a lutar contra GENOCÍDIO Guarani e Kaiowá e iremos insistir na necessidade premente do Estado brasileiro se envolver profundamente com o nosso problema Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul. Sabemos que Governo do Brasil tem seu dever Constitucional assumir e decidir com firmeza e rigor uma dinâmica eficaz para fazer respeitar Direitos Humanos e Indígenas no Mato Grosso do Sul. Entendemos perfeitamente que é dever do Estado brasileiro viabilizar recursos financeiros e humanos, refletir e planejar estratégias que culminem em soluções efetivas aos problemas fundiários dos Guarani e Kaiowá aqui focada. Diferentemente da REVISTA VEJA, temos grande esperança e entendemos que os apoios de manifestantes dos cidadãos (ãs) do Brasil deverão contribuir, no tempo, para melhorar a qualidade de vida dessa grande parcela do nosso povo Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul.

Por fim, prestamos o nosso imenso agradecimento a todos (as) cidadãos (ãs) manifestantes pela compreensão e atenção merecida. A nossa luta continua contra GENOCÍDIO.

Atenciosamente,

Tekoha Guasu Guarani e Kaiowá, 04 de novembro de 2012
Lideranças da Aty Guasu Guarani e Kaiowá-MS

Fonte da notícia: Aty Guasu

ANPUH rebate o texto da Veja sobre Hobsbawm

RESPOSTA À REVISTA VEJA - Eric Hobsbawm: um dos maiores intelectuais do século XX

Por Arnaldo Lemos Filho (adaptado)
http://www.blogdacompanhia.com.br/tag/eric-hobsbawm/
Dia 1 de outubro, faleceu o historiador inglês Eric Hobsbawm. Intelectual marxista, foi responsável por vasta obra a respeito da formação do capitalismo, do nascimento da classe operária, das culturas do mundo contemporâneo, bem como das perspectivas para o pensamento de esquerda no século XXI. Hobsbawm, com uma obra dotada de rigor, criatividade e profundo conhecimento empírico dos temas que tratava, formou gerações de intelectuais. 

Ao lado de E. P. Thompson e Christopher Hill liderou a geração de historiadores marxistas ingleses que superaram o doutrinarismo e a ortodoxia dominantes quando do apogeu do stalinismo. Deu voz aos homens e mulheres que sequer sabiam escrever. Que sequer imaginavam que, em suas greves, motins ou mesmo festas que organizavam, estavam a fazer História. Entendeu assim, o cotidiano e as estratégias de vida daqueles milhares que viveram as agruras do desenvolvimento capitalista.

Mas Hobsbawm não foi apenas um "acadêmico", no sentido de reduzir sua ação aos limites da sala de aula ou da pesquisa documental. Fiel à tradição do "intelectual" como divulgador de opiniões, desde Émile Zola, Hobsbawm defendeu teses, assinou manifestos e escolheu um lado.

Empenhou-se desta forma por um mundo que considerava mais justo, mais democrático e mais humano. Claro está que, autor de obra tão diversa, nem sempre se concordará com suas afirmações, suas teses ou perspectivas de futuro. Esse é o desiderato de todo homem formulador de ideias. Como disse Hegel, a importância de um homem deve ser medida pela importância por ele adquirida no tempo em que viveu. E não há duvidas que, eivado de contradições, Hobsbawm é um dos homens mais importantes do século XX.

Eis que, no entanto, a Revista Veja reduz o historiador à condição de "idiota moral" (cf. o texto "A imperdoável cegueira ideológica da Hobsbawm", publicado em www.veja.abril.com.br). Trata-se de um julgamento barato e despropositado a respeito de um dos maiores intelectuais do século XX. Veja desconsidera a contradição que é inerente aos homens. E se esquece do compromisso de Hobsbawm com a democracia, inclusive quando da queda dos regimes soviéticos, de sua preocupação com a paz e com o pluralismo.

A Associação Nacional de História (ANPUH-Brasil) repudia veementemente o tratamento desrespeitoso, irresponsável e, sim, ideológico, deste cada vez mais desacreditado veículo de informação. O tratamento desrespeitoso é dado logo no início do texto "historiador esquerdista", dito de forma pejorativa e completamente destituído de conteúdo. E é assim em toda a "análise" acerca do falecido historiador. Nós, historiadores, sabemos que os homens são lembrados com suas contradições, seus erros e seus acertos.

Seguramente Hobsbawm será, inclusive, criticado por muitos de nós. E defendido por outros tantos. E ainda existirão aqueles que o verão como exemplo de um tempo dotado de ambiguidades, de certezas e dúvidas que se entrelaçam. Como historiador e como cidadão do mundo. Talvez Veja, tão empobrecida em sua análise, imagine o mundo separado em coerências absolutas: o bem e o mal. E se assim for, poderá ser ela, Veja, lembrada como de fato é: medíocre, pequena e mal intencionada.

São Paulo, 05 de outubro de 2012

Diretoria da Associação Nacional de História – ANPUH-Brasil

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Guarani-Kaiowá dá xeque de peão no Poder Público

Justiça autoriza permanência de índios Guarani-Kaiowá em fazenda no MS

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, durante discussão sobre a situação dos índios Guarani Kaiowá no Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, nesta terça-feira 30. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / ABr
A desembargadora Cecilia Mello, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (São Paulo e Mato Grosso do Sul), suspendeu nesta terça-feira 30 o agravo de instrumento que determinava a retirada da comunidade Pyelito Kue, formada por 170 índios da etnia Guarani-Kaiowá da fazenda Cambará, em Iguatemi, região sul do Mato Grosso do Sul, onde está acampada há mais de um ano. Com a decisão, a desembargadora cancela a saída dos índios, determinada por um juiz da 1ª Vara Federal em Naviraí (MS), até que seja finalizado o processo de demarcação das reservas indígenas na região.

Em sua decisão, a magistrada determina que os índios devem ficar num espaço de um hectare (10 mil metros quadrados), até o término da demarcação das terras na região. “Os índios devem ficar exatamente onde estão agrupados, com a ressalva de que não podem estender o espaço a eles reservado em nenhuma hipótese”, diz a desembargadora. “Os índios não devem impedir a livre circulação de pessoas e bens no interior da Fazenda Cambará, tampouco estender plantações, praticar a caça de animais na fazenda e, ainda, desmatar áreas verdes consistentes em Reserva Legal”. Segundo a desembargadora, será obrigação da Fundação Nacional do Índio (Funai), que entrou com o recurso, garantir que os índios respeitem a decisão judicial.

Com informações da Agência Brasil

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Guarani-Kaiowá: "Se a gente vai se matar? Não! Não nos entregaremos fácil"

"Se a gente vai se matar? Não! Não nos entregaremos fácil", afirma Kaiowá de Pyelito Kue

Inserido por: Administrador em 25/10/2012.
Fonte da notícia: Assessoria de Comunicação / Cimi
 
Por Ruy Sposati,
de Brasília

A situação dos Kaiowá e Guarani envolvendo as comunidades de Passo Piraju, Arroio Korá, Potreto Guasu, Laranjeira Nhanderu e, especialmente, Pyelito Kue, todos no Mato Grosso do Sul, comoveu sociedades de todo o mundo na última semana - e gerou interpretações diferenciadas sobre o que queriam dizer os indígenas com a carta que denunciava o despejo da aldeia e a 'morte coletiva' de 170 pessoas.

Integrantes da Aty Guasu conversaram com Líder Lopes - ou Apykaa Rendy, "Trono Iluminado", em Guarani - uma das principais lideranças da comunidade de Pyelito Kue sobre a situação da aldeia, seus problemas, expectativas e sobre a carta, alvo de diversas mobilizações internacionais. A íntegra da conversa foi publicada em um vídeo pela Aty Guasu. 


Em novembro, a comunidade completa um ano de retomada do território - e um ano de muitos problemas. "Não temos saída [da aldeia]. As pessoas que estão doentes não têm por onde sair. Não têm recurso. As crianças também não têm onde estudar. Não têm roupa. As cestas da Funai não estão chegando para a gente. Não temos atendimento da Funasa. Mas mesmo assim, nós estamos aqui", conta Líder Lopes.

"Estamos em um lugar apertado. Os fazendeiros não querem que a gente abra caminhos, não querem que a gente passe no meio do pasto. Nós atravessamos pelo rio", explica. "Tudo acontece com a gente. Ameaças, não por indígenas, mas pelo próprio fazendeiro, ameaças pelos pistoleiros, ameaçando a gente. Por isso, nós guerreamos pela nossa terra".

Suicídio coletivo
Questionado sobre as interpretações de que os Kaiowá de Pyelito Kue cometeriam suicídio coletivo, Apykaa explica a posição da comunidade. "Se a gente vai se suicidar? Se a gente vai se matar? Não, nós não iremos fazer isso", comenta. "Se for para a gente se entregar, nós não nos entregaremos fácil. É por causa da terra que estamos aqui, nós estamos unidos com o mesmo sentimento e com a mesma palavra para morrermos na nossa terra. Esta terra é nossa mesmo!"


"Os brancos querem nos atacar. Por isso nós dizemos: morreremos pela terra! Mas a ideia da gente se matar, ou se suicidar, nós não iremos fazer. Nós morreremos se os fazendeiros nos atacar. Aí poderemos morrer!"

"Desde o começo que nós entramos lá, estamos firme. A comunidade falou que não vai desistir. Queremos retomar a terra que foi dos nossos avós, onde os nossos parentes morreram. Queremos realmente ocupar essa terra. Viveremos realmente neste lugar! Esta terra não é dos brancos, é nossa e de nossos antepassados. Se a gente perder a nossa vida será por causa da terra", conclui Apykaa.


Mais informações: http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&conteudo_id=6581&action=read

Kaiowá e Guarani de Pyelito Kue é violentada por oito pistoleiros em Iguatemi, MS

Inserido por: Administrador em 26/10/2012.
Fonte da notícia: Assessoria de Comunicação - Cimi
 
Por Renato Santana,
de Brasília (DF)

Enquanto M.B.R se dirigia do tekoha Pyelito Kue para o centro urbano de Iguatemi, Mato Grosso do Sul, nesta quarta-feira, 24, o motoqueiro que a levava mudou de rota, entrou numa fazenda chamada São Luís e lá oito pistoleiros aguardavam a indígena, que passou a ser violentada sexualmente.

A ocorrência foi registrada na delegacia do município e conforme um agente da Polícia Civil, a indígena realizou exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) de Naviraí. A investigação para descobrir os autores também teve início e os policiais aguardam o laudo da perícia médica.    

De acordo com relatos da própria indígena, os pistoleiros a amordaçaram antes do início das sessões de estupro. Enquanto se revezavam, um sempre mantinha a ponta de uma faca no pescoço de M.B.R. Logo após as sucessivas violências, um dos homens apontou a espingarda que trazia para a cabeça da indígena e passou a dirigir perguntas sobre Pyelito Kue e suas lideranças.

“Ela contou que depois disso os homens deixaram ela largada por lá. Outro homem a viu e prestou socorro. Foi toda machucada para o Hospital São Judas Tadeu e recebeu medicação, atendimento”, relata Líder Lopes, de Pyelito Kue. M.B.R já está na comunidade e aguarda nova ida ao hospital.

Conforme Líder Lopes, a indígena encontra-se assustada e pouco consegue falar. A Fundação Nacional do Índio (Funai) foi acionada e aguarda o laudo pericial para tomar providências, mas uma equipe se deslocará até a comunidade para prestar apoio a indígena.

Suspeitas   

Ainda não há informações mais concretas quanto aos autores da barbárie. Porém, M.B.R disse aos parentes Kaiowá e Guarani que o homem da moto foi enviado pelo marido de uma tia, sendo que ambos vivem em Iguatemi.

Durante esta última semana, a questão Kaiowá e Guarani voltou às manchetes nacionais e internacionais, além de mobilizar centenas de pessoas mundo afora, com uma carta da comunidade de Pyelito Kue dizendo que não sairão de suas terras de ocupação tradicional, mesmo que para isso tenham que morrer resistindo.